Manaus lidera a posição com a maior taxa de mortalidade ajustada por idade, chegando a 412,5 mortes por 100 mil habitantes. As informações fazem parte do estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), publicado na revista Cadernos de Saúde Pública nesta quarta-feira (7), que analisou o período de março de 2020 a 30 de janeiro de 2021. A capital amazonense enfrentou o colapso no sistema de saúde, com falta de oxigênio para tratamento dos pacientes infectados pela covid-19, no início deste ano.

A pesquisa mostra que as taxas de mortalidade por covid-19 nas capitais da Região Norte em 2020 foram maiores do que mostram as taxas brutas. A taxa bruta corresponde ao número total de óbitos por 100 mil habitantes, que é influenciada pela estrutura etária de cada população. Altas taxas de mortalidade podem refletir uma elevada proporção de pessoas idosas na população total, como é o caso do Sudeste.

O método utilizado no estudo é a taxa de mortalidade padronizada por idade, com intervalos de dez em dez anos, de modo a eliminar os efeitos da diversidade da estrutura etária nas populações e conseguir fazer um retrato mais fiel da mortalidade por covid-19 em populações diferentes. Para o cálculo das taxas padronizadas por idade, utilizou-se a estrutura etária da população brasileira estimada para 2020.

Apesar de as taxas brutas mostrarem que Manaus e o Rio de Janeiro têm mortalidade similar, com 253,6 por 100 mil e 253,2 por 100 mil, respectivamente, a análise revelou maior vulnerabilidade e risco de morte por covid-19 na capital amazonense. Na capital fluminense, fazendo o ajuste por faixas etárias, a mortalidade caiu para 195,74 por 100 mil.

Outro dado que revela o maior risco de mortes pela doença na capital amazonense é que, apesar de a doença ter desfechos mais graves em idosos, a proporção de óbitos por covid-19 em menores de 60 anos em Manaus foi de 33%, enquanto no Rio de Janeiro e em São Paulo foi de 22%.

O estudo concluiu que “a mortalidade precoce em Manaus foi substancialmente maior do que em outras capitais como São Paulo e o Rio de Janeiro”. Nas faixas etárias de 70-79-80 anos ou mais, as taxas de Manaus dobram se comparadas às do Rio de Janeiro e triplicam em relação às de São Paulo. capital paulista, a taxa bruta foi de 140,74 mortes por 100 mil, enquanto a taxa padronizada por idade foi de 125,35 por 100 mil.

Depois de Manaus, as maiores taxas de mortalidade foram observadas nas cidades de Porto Velho e Boa Vista, que passaram de 172,98 para 304,75 mortes por 100 mil habitantes (aumento de 76%) e de 124,39 para 246,44 por 100 mil (aumento de 98%), com o ajuste por idade.

Informações: Agência Brasil

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